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  • IV ENCONTRO DA IGREJA CATÓLICA NA AMAZÔNIA LEGAL - 50 anos do Encontro De Santarém (1972-2022)

  • 10 de Junho de 2022

“Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo” Mt 5,13-14


Irmãs e Irmãos em Cristo Jesus

Amigos e Amigas da Amazônia




“Cristo aponta para a Amazônia”, dizia o Papa Paulo VI aos bispos reunidos em Santarém naquele 1972. Hoje, 50 anos depois, reunidos de novo no coração da Amazônia brasileira, vimos celebrar este marco da caminhada da Igreja nesta região e reafirmar a sinodalidade eclesial, nosso querer caminhar juntos, estreitar nossa comunhão pastoral e na esperança, continuar a semeadura do Evangelho e dos sinais do Reino em nossa Querida Amazônia.


Conduzidos pelo que o ‘Espírito diz a nossas Igrejas’ (Ap 2,7), expressamos nossa gratidão àqueles operários da primeira hora, que em Santarém tomaram o firme caminho da ENCARNAÇÃO NA REALIDADE, condição permanente de conversão ao Verbo Encarnado e de uma EVANGELIZAÇÃO LIBERTADORA, fruto da Páscoa de Jesus a todos os homens e ao homem todo, que aponta para “a passagem de condições menos humanas para condições mais humanas de vida.” (PP 20)


Seguimos animados por um novo mandato do sucessor de Pedro que nos disse: “Muitos irmãos e irmãs na Amazônia carregam cruzes pesadas e aguardam pela consolação libertadora do Evangelho, pela carícia de amor da Igreja. Por eles, com eles, caminhemos juntos” (Homilia, abertura do Sínodo 2019), nós professamos ‘nossa crença e nossa esperança no futuro desta região...’ (Santarém, 1972), e relançamos em nosso meio o grande dom que foi o Sínodo para a Amazônia.


Manifestamos nossa alegria de habitar em meio a numerosos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, migrantes, juventudes e comunidades da periferia das cidades desse imenso território do planeta. Com eles, experimentamos a força libertadora do Evangelho que atua nos pequenos e que nos interpela e convida a uma vida mais simples, de mais partilha e gratuidade.


Ao longo destes anos, nossas comunidades tornaram-se mais samaritanas, misericordiosas, solidárias, pobres e pascais, sobretudo neste tempo de pandemia da Covid-19, e no testemunho de solidariedade aos mais necessitados e vulneráveis reafirmaram o amor fraterno, nossa identidade com o Cristo, Crucificado, Morto e Ressuscitado.


No caminhar juntos, queremos continuar nossa missão com “coragem e audácia, abertos à ação de Deus, que nos deu a si mesmo em Jesus Cristo” (Mensagem do Papa Francisco, 2022), frente às agressões que hoje devastam o território amazônico, ameaçado por um sistema econômico predatório e consumista, que escancara as chagas abertas pela violência socioambiental, que destrói os direitos dos povos originários e tradicionais, da natureza e do território amazônico. O território, entregue ao grande capital multinacional, tão visível na mineração (garimpo), na expansão das hidroelétricas, na monocultura de grãos e no uso de agrotóxicos, na grilagem de terras públicas... Aliado a tudo isso, um fenômeno na região assusta: a coexistência de conflitos agrários e crimes ambientais, como os garimpos que se interligam no território com as dinâmicas das facções criminosas. A vida dos povos da Amazônia está por um fio!


É urgente uma parada, que estanque este modelo de soberania privativa que se sobrepõe à soberania social, e promova a reconstrução e a garantia da Vida e de salvaguarda da Amazônia. Conclamamos as irmãs e os irmãos, a um pacto pela vida, contra os projetos de morte e em defesa da Democracia.


“Avançar para águas mais profundas” (Lc 5,4) é o grande mandato de Jesus que ressoa em nossos corações neste momento, e nós o acolhemos com alegria e esperança. Sabemos que não estamos sozinhos: fazemos parte de uma grande rede tecida pelos que acreditam que as sementes do Reino foram lançadas por tanta gente nessas terras e águas, e hoje, por nós, que começamos a colher os frutos de tantos testemunhos que atestam a presença do Espírito do Crucificado e Ressuscitado em nosso meio.


Assim, anunciamos a boa nova da vida plena, iluminados pela Palavra de Deus e pelo Magistério de nossas Igrejas Particulares, que foi reconhecido no Sínodo para a Amazônia e nos sonhos do Papa Francisco expressos na Exortação Apostólica pós-Sinodal. Comprometemo-nos a uma vida mais simples, de mais partilha e gratuidade, de conversão integral e de incidência na defesa da vida de mulheres e homens, e, aliados aos povos da Amazônia.


Assumimos alguns compromissos que partilhamos com vocês, para que juntos possamos vivê-los em nossas Igrejas Particulares e sermos testemunhas da esperança e de uma Igreja em saída.


“O caminho da Igreja iniciado em Santarém, 1972, proporcionou frutos de fecundidade profética na evangelização junto aos povos desta imensa Amazônia. Nossas Igrejas Particulares saíram do isolamento, vamos cada vez mais aprendendo a caminhar juntos. Estes últimos 50 anos moldaram nosso modo de ser e de agir, somos uma Igreja com rostos amazônicos.


As duas grandes diretrizes apontadas no Documento de Santarém (1972) ENCARNAÇÃO NA REALIDADE E EVANGELIZAÇÃO LIBERTADORA, são de uma atualidade incontestável e as reassumimos com maior compromisso e profundidade, pois os tempos de hoje exigem. Diante do cenário da Amazônia neste momento, tomamos as seguintes linhas prioritárias para os novos caminhos da Evangelização:

1. Fortalecimento das Comunidades Eclesiais de Base;

2. Formação dos Discípulos Missionários na Amazônia;

3. Defesa da Vida dos Povos da Amazônia;

4. Cuidado com a Casa Comum: Migração, Mineração e Mega Projetos de Infraestrutura;

5. Evangelização das Juventudes.” (Santarém 50 anos: gratidão e profecia - 2022)


Conscientes de nossas fragilidades, das poucas forças humanas e de nossa pobreza, diante de tão grandes e graves desafios, confiamo-nos à oração de nossas Comunidades Eclesiais, para que nos socorram com afeto no Senhor e, sempre que necessário, com a caridade da correção fraterna.


Expressamos nosso agradecimento ao Papa Francisco por sua proximidade e ternura para com a Amazônia, nossos povos e Igrejas particulares. Em comunhão com ele, a nossa humilde prece.


Gratidão à Igreja de Santarém, que nos acolheu nestes dias com carinho, disponibilidade, fraternidade e sinodalidade.


Rogamos a Maria, Nossa Senhora de Nazaré, Mãe da Amazônia e Estrela da Evangelização, que nos acompanhe nesta hora difícil e tensa em favor da vida na Amazônia, na esperança da aurora da ‘terra sem males’ e na certeza do “reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da Paz. ” (Pref. N.S.J.C Rei do Universo)


Agora vale a verdade

cantada simples e sempre,

agora vale a alegria

que se constrói dia a dia

feita de canto e de pão...

Faz escuro (já nem tanto),

vale a pena trabalhar.

Faz escuro, mas eu canto

porque a manhã vai chegar.

(Faz escuro, mas eu canto)

Thiago de Melo


Santarém-PA, 9 de junho de 2022.

Participantes do IV Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal

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